A primeira noite da 47ª Califórnia da Canção Nativa do Rio Grande do Sul começou com emoção renovada na Concha Acústica César Passarinho com a 4ª Califórnia Estudantil. Jovens talentos subiram ao palco da “mãe dos festivais” e encantaram o público com interpretações potentes e carismáticas, revelando em cada voz o orgulho da música nativista.
Na abertura oficial teve apresentação da Invernada Pré-Mirim do Centro de Tradições Gaúchas (CTG) Sinuelo do Pago e em seguida show com João de Almeida Neto, “a voz do Rio Grande do Sul”, cantando e encantando o público. No encerramento teve baile em frente à Concha Acústica, com a energia contagiante do grupo Chiquito e Bordoneio.
Para fazer a cobertura das apresentações o Bem-Te-Vi convidou dois jovens artistas de Uruguaiana já conhecidos do festival, Maria Pya de Oliveira e Matheus Pereira. Eles entrevistaram os participantes da edição de 2025 e puderam reviver momentos que só quem pisa no palco da Califórnia pode sentir.
A disputa foi acirrada com o alto nível dos canditados que apresentaram-se nas categorias Pré-Mirim, Mirim e Juvenil. Conheça um pouco de cada um deles.
Izabela correa de oliveira

Com uma expressiva interpretação de Aguadas, a concorrente de voz potente, da cidade de Canguçu, foi a grande revelação da noite, conquistando o primeiro lugar na categoria Juvenil. Ela foi escolhida para subir ao palco da Califórnia da Canção Nativa em 2026 e concorrer com “gente grande”. “Foi muito legal voltar para a Califórnia. É um festival muito acolhedor e Uruguaiana uma cidade muito boa”, diz. “Vim em 2023 e retornar ao palco foi muito gratificante. Meus pais se empenharam de novo para me trazer e sou muito grata por isso”.
valentina mazuí

Leontina das Dores foi a música escolhida por Valentina e que lhe garantiu o primeiro lugar na categoria Mirim. A representante de Quaraí emocionou o público com sua interpretação e forte presença no palco. “Meu interesse em cantar partiu de mim. No começo, meus pais não acreditaram muito, mas quando viram que eu realmente queria, começaram a me apoiar. Hoje meu pai vai comigo para todos os festivais, mesmo morando longe, e a minha mãe sempre ajuda no que pode”. Eles achavam que não ia dar certo pelo fato dela ser asmática, fanha e falar meio anasalado. “Eu insisti e quando finalmente entrei nas aulas de canto, o professor começou a incentivar meus pais, dizendo que eu tinha futuro. Desde então, não parei mais”.
“Cantar na Califórnia é sempre uma honra imensa. É um dos poucos festivais perto da minha casa, mas o mais importante é poder participar novamente com meus amigos e representar as músicas do acervo da Califórnia”, diz.
isabella tramontina da silva

Com a interpretação de Poema não Escrito, a pequena Isabella, concorrente de Porto Alegre, garantiu o primeiro lugar na categoria Pré-Mirim. “Estou muito feliz pela oportunidade de cantar no palco da Califórnia, que achei lindo”. Ela contou que quando sua mãe percebeu que gostava de cantar, a colocou em aulas de música. “Eu evoluí bastante e mudei de escola de música, onde me incentivaram a participar de festivais. Foi aí que comecei a fazer shows”.
raiany de freitas

Com a interpretação da música “Faz de Conta”, a jovem cantora de Três Passos ficou com o segundo lugar na categoria Juvenil. “É muito gratificante estar no palco da Califórnia. Sempre foi meu grande sonho participar deste que é mãe dos festivais, onde se apresentaram tantos nomes atemporais do nosso Estado. Estou com o coração cheio de gratidão e alegria”, declarou. “Meu bisavô tocava gaita, passou para meu avô, para os meus tios e meu pai e, depois, para mim, o apreço pela música, que sempre esteve presente na minha família”.
“Participei das Cirandas de Prenda no CTG Missioneiro dos Pampas, em Três Passos, e lá desenvolvi ainda mais meu amor pela música gaúcha. Depois vieram as apresentações, os festivais nativistas e, no ano passado, participei do Canta Comigo Teen, da TV Record. A música é meu jeito de expressar sentimentos.”
muriel kirst

A interpretação de Guri por Muriel foi um espetáculo à parte no palco da Califórnia Estudantil, que arrancou muitos aplausos do público. O menino de Não Me Toque conquistou o segundo lugar na categoria Mirim. “Ingressei na música com cinco, fazendo aulas de acordeon. Conforme o tempo foi passando, iniciei nas aulas de canto e então comecei a participar de festivais. A partir daí conquistei diversas premiações em festivais nativistas e nacionais”, conta. “Participar da Califórnia da Canção Nativa foi emocionante demais. Interpretei um dos maiores clássicos deste festival e do nosso cancioneiro gaúcho: Guri. Além de receber efusivos aplausos do público, me consagrei vice-campeão da Califórnia Estudantil na categoria mirim”.
paula emÍliA camilo

Ela veio de Soledade e, com música Guria, ganhou o segundo lugar na categoria Pré-Mirim.
“Chegar ao palco da Califórnia foi muito gratificante. Comecei a fazer aulas com a Musique, de Porto Alegre e meu professor sugeriu a música que eu cantei, Guria,pois disse que combinava comigo. Em menos de duas semanas eu decorei, gravei o MP3, mandei para a triagem e passei”, diz, ao contar como chegou no festival.
“Sempre gostei de cantar. Meus pais perguntaram se eu queria investir nisso. Comecei com uma professora lá de Soledade, mas agora, com o professor William, na Musique, sinto um incentivo muito maior”, revela.
mariana dos santos rohÂn

A representante da cidade de Alegrete interpretou a música A Sombra do Cinamomo e conquistou o terceiro lugar na categoria Juvenil. “Foi muito interessante chegar à Califórnia. Tenho uma amiga de Uruguaiana que sempre dizia: ‘te inscreve, tu vai gostar’. Já tinha participado anos atrás da antiga Califórnia Petiça. Agora, no meu último ano nos festivais juvenis, estou com 17, pensei – por que não tentar? – E deu certo!”.
A jovem lembra que começou a cantar no festival Cantinho Farroupilha, em Alegrete, quando tinha seis anos. “Foi com uma música do meu tio em homenagem ao Nico Fagundes, que havia falecido. Era muito pequena, mas já amava cantar.”
lorenzo borella de souza

Grito dos Livres foi a música que vibrou na voz de Lorenzo, de Francisco Beltrão, escolheu para interpretar e que lhe garantiu a terceira colocação na categoria Mirim. “Quem me incentivou a cantar foi minha avó. Ela sempre pedia para meu primo colocar música no computador para eu ouvir. Em casa, meus pais faziam festas em que meus tios tocavam gaita e violão, cantando música gaúcha. Fui me agarrando ao gosto”, conta, declarando que é uma alegria enorme estar na Califórnia Estudantil de novo. Ele recordou que participei em 2023, da segunda edição, quando conquistou o primeiro lugar na categoria Mirim. “Esse povo é muito acolhedor e isso nos deixa muito felizes. Quero continuar minha carreira musical e sei que vai dar certo.”
julia nunes soares

A representante de Uruguaiana trouxe a mistura de força e intensidade na interpretação da música Rancho de Luz e conquistou o terceiro lugar na categoria Pré-Mirim. Julia conta que começou a cantar com três anos e meio, quando pediu ao pai, que é músico, para cantar. Logo ele fez uma música para a filha cantar, chamada “Bonequinha de Pano”. Desde então a menina começou a participar de festivais e rodeios na cidade e região. Com quatro anos foi vencedora da California Petiça em sua categoria. “Participar da Califórnia Estudantil significa oportunidade de novos festivais e é isso o que eu quero, me tornar uma cantora de músicas nativistas, por isso vou continuar estudando e me dedicando”. Ela faz parte do Centro de Estudos Folclóricos Martin Fierro.
cecília kasali lima

Com a interpretação de Guria, Cecília, a representante de Itaqui na categoria Mirim, fez uma linda apresentação no palco da Califórnia Estudantil. Ela conta que esse foi o seu primeiro festival. “Meu primeiro palco, na verdade, foi em casa. Sempre tive apoio da minha família. Depois vieram a escola, o Fenartinho em 2022 e 2023. Em 2024 e 2025 passei a concorrer mais em rodeios e a me apresentar em asilos e escolas. Integrante de duas entidades tradicionalista, o CTG Cristóvão Pereira de Abreu e a Associação de Laçadores Jácomo Bonapace, diz que sempre sonhou em participar da Califórnia. “Meu pai me inscreveu enquanto eu estava na escola, ele sabia que eu queria muito participar. Quando vi que fui selecionada, nem acreditei, pois eu sonhava com isso e assistia de casa com minha família. Agora estou aqui.”
cecília pugliero coelho

A Casa em que Cresci foi interpretada pela pequena Cecília, de Alegrete, que trouxe encanto aos palco da Califórnia Estudantil. Ela concorreu na categoria Pré-Mirim.
marcelo sérgio da fonseca

Da cidade de Santa Vitória do Palmar, Marcelo interpretou Negro de 35, na categoria Juvenil, com uma expressiva apresentação no palco da Califórnia Estudantil. O jovem cantor lembra que começou a cantar com 8 anos. “Foi quando ganhei meu primeiro violão”, lembra. “Minha maior motivação sempre foi cantar parabéns ao meu avô, que sempre gostou muito de violão, e acompanhava a Califórnia (desde os discos de vinil). Infelizmente ele nunca pode me ver cantar em vida, mas tenho certeza que ele me acompanha. Cantar na Califórnia da Canção Nativa, o festival que ele mais amava, foi a realização de um sonho, junto com um sentimento de saudade de meu avô. Com certeza foi uma experiência única!”, declarou.
premiação
Categoria Pré-Mirim
1º – Isabela Tramontina da Silva, de Porto Alegre – Poema não Escrito
2º – Paula Emília Camilo, de Soledade – Guria
3º – Julia Nunes Soares, de Uruguaiana – Rancho de Luz
Categoria Mirim
1º – Valentina Mazuí, de Quaraí – Leontina das Dores
2º – Muriel Kirst, de Não Me Toque – Guri
3º – Lorenzo Borella de Souza, de Francisco Beltrão – O Grito dos Livres
Categoria Juvenil
1º – Izabela Correa de Oliveira, de Canguçu – Aguadas
2º – Raiany de Freitas, de Três Passos – Faz de Conta
3º – Mariana dos Santos Rohan, de Alegrete – A Sombra do Sinamomo
bastidores das entrevistas
Mais que repórteres da 4ª Califórnia Estudantil, Matheus e Maria Pya participaram da alegria dos encontros que os festivais nativistas proporcionam, com momentos de trocas e conversas. Fora do palco uma linda lição, não existe competição, mas amizades que se renovam a cada encontro de música pelo Rio Grande do Sul.









Fotografias do show: Miguel Castanini https://www.instagram.com/miguelcastanini/
Fotos dos bastidores e texto: Giovana Petrocele

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