Uruguaiana, terra fértil da arte, não para de surpreender quando se trata de talentos da música regional. Entre os novos nomes que vêm despontando, chama a atenção o grupo Los Criollos, formado por três jovens que, apesar da pouca idade, já acumulam prêmios, apresentações e um amor profundo pela tradição gaúcha.

O Bem-Te-Vi Uruguaiana conversou com Lorenzo D’Avila de Carvalho (14 anos), Gonçalo D’Avila de Carvalho (10 anos) e Bernardo Severo de Azevedo (18 anos). Eles contaram como a música entrou em suas vidas, como surgiu o grupo e quais são os planos para o futuro.
A música como herança

Para Lorenzo, a paixão pela música começou cedo. “Desde os cinco anos eu já escutava e interpretava músicas gaúchas. Com o tempo, percebi que tinha vocação para o acordeon e quis mostrar meu aprendizado ao público”, contou o jovem.
Já Gonçalo, o caçula do grupo, cresceu cercado pelos mesmos sons dentro de casa e seguiu naturalmente os passos do irmão. “Quando não estamos ensaiando, estamos escutando música gaúcha. Subi no palco pela primeira vez no PTG Saraquá, com a música Mocito, e conquistei o 2º lugar. Desde então, não parei mais”, lembra.
Bernardo, por sua vez, encontrou seu caminho em um show de Lisandro Amaral, em Vacaria (RS). “Foi ali que decidi aprender a tocar gaita. Depois, o violão entrou na minha vida e se tornou quase um vício. Chegava em casa e só queria tocar”, relembra.
Inspirações que alimentam talentos
Marcelino de Carvalho e Daniela Goulart D’Avila, pais de Gonçalo e Lorenzo, são fontes de inspiração para os meninos. Mas também não faltam ídolos para motivar os irmãos, que citam os professores Edvanio Vieira, João Quintana e Jediele Fagundes, além de nomes importantes da cena nativista, como Lisandro Amaral, Mauro Silva, Lucas Gross, Ricardo Comassetto e Iron Antero (Grupo Carqueja).

Bernardo guarda com carinho a memória de Alceu Paz Lopes, seu primeiro professor de gaita: “Ele foi um grande incentivador e marcou muito minha vida artística. Além dele, admiro artistas como Nelson Cardoso, Telmo de Lima Freitas e César Passarinho”, diz. Ele não esquece que a família sempre foi uma grande apoiadora, desde a confiança pra comprar sua primeira gaita até quando ele quis migrar para o violão.
Festivais e conquistas
Mesmo tão jovens, os integrantes já têm uma trajetória respeitável em concursos e festivais tradicionalistas. Gonçalo, por exemplo, acumula uma lista impressionante de prêmios: 1º lugar intérprete mirim na 44ª Camperiada de Alegrete (2024); 1º lugar na categoria intérprete mirim da 72ª Expofeira de Quaraí; 1º lugar gaita piano e intérprete solista pré-mirim no 27º Fenartinho da 4ª região do MTG, na Barra do Quaraí. Diversas premiações em Uruguaiana, incluindo concursos no PTG Saraquá, Escola Dom Bosco e Festa Campeira Internacional do CTG Sinuelo do Pago. Além disso, foi escolhido em 2024 como pia dos Festejos Farroupilhas de Uruguaiana.

O grupo também já participou do Festival do Candieiro, entre outros eventos que reforçam seu espaço no cenário tradicionalista.
O nascimento de Los Criollos
A ideia de unir os talentos surgiu de forma despretensiosa. Em novembro de 2023, Lorenzo e Gonçalo se juntaram a Bernardo para tocar algumas músicas em uma festa de aniversário. O entrosamento foi imediato e o trio decidiu continuar.
“De lá em diante começaram a surgir convites para inúmeros shows”, lembram. O nome, escolhido em uma apresentação para a Liga Feminina de Combate ao Câncer, reflete a autenticidade do grupo: são criollos de Uruguaiana, carregando a identidade gaúcha no sangue e na voz.
No presente com os pés no futuro
Hoje, Los Criollos se apresenta em festas particulares, aniversários, empresas, gineteadas, concursos e escolas. A versatilidade faz com que o grupo esteja aberto a diferentes tipos de eventos, sempre levando a tradição gaúcha consigo.
E o futuro? Apesar da música ser parte essencial da vida de cada um, todos planejam seguir estudando e se formar em profissões que consideram dignas. Bernardo, por exemplo, pretende cursar Medicina Veterinária. Mas os três concordam em um ponto:
“Na medida do possível, nunca vamos deixar de cultivar nossas tradições através da música gaúcha.”
Redação: Giovana Petrocele
Fotos: Divulgação

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