Jovens talentos da fronteira gaúcha

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Uruguaiana é, reconhecidamente, terra da música. Foi aqui que nasceram grandes intérpretes do cenário tradicionalista, e também neste solo de fronteira que muitos artistas se projetaram a partir do palco da Califórnia da Canção Nativa do Rio Grande do Sul, um dos festivais mais importantes do gênero. A tradição segue viva a cada edição, quando novos nomes surgem e conquistam espaço, seja na Califórnia Estudantil, seja em outros eventos que celebram a cultura gaúcha e abrem espaço para que jovens talentos façam ecoar sua arte.

O Bem-Te-Vi Uruguaiana inicia uma série de artigos sobre as novas vozes nativistas de Uruguaiana. Começaremos com três jovens talentos que vem se destacando em festivais de música tradicionalista: Maria Rita Sagrilo Pansiera, Maria Pya Machado de Oliveira e Matheus Pereira. Rostos já conhecidos nos palcos locais, eles acumulam participações em festivais como a Califórnia Estudantil, o Rodeio Artístico e Cultural do Piquete Saraquá, o Sinuelo em Dança e o Festival de Interpretação da Canção Nativa Carmem Ortiz.

Em uma conversa descontraída, as Marias e o Matheus falaram sobre seus sonhos musicais, lembraram como a música entrou cedo em suas vidas e contaram de que forma ela os inspira a seguir nesse caminho tão concorrido quanto promissor.

Um ponto em comum entre os três é a presença da música desde a infância, sempre acompanhada de incentivo familiar e do apoio de músicos da cidade.

A menina que canta sonhos

Aos 13 anos, a uruguaianense Maria Rita já carrega a música no coração como quem carrega um tesouro. Desde pequena, dividia acordes com o pai e o irmão, até que, aos 11 anos, recebeu o incentivo do professor Jediel Fagundes para subir ao palco da Califórnia Estudantil.

Sua estreia foi em 2022, na 1ª edição em Uruguaiana, durante a 44ª Califórnia. Desde então, a menina não parou mais: 1º e 3º lugar no Festival de Interpretação da Canção Nativa Carmem Ortiz, da Escola Dom Bosco; 1º lugar no Sábado Nativo da Escola Dom Hermeto; e, em 2023, 1º lugar no XXV Rodeio Artístico e Cultural do Piquete Saraquá. Na própria Califórnia Estudantil, já venceu duas vezes a fase local.

Cercada de apoio — da família e de músicos amigos — Maria Rita encontra inspiração na cantora Nicole Carrion, além de outros nomes da música tradicionalista.

Com brilho nos olhos, confessa: “Meu sonho é ganhar o 1º lugar em uma Califórnia. Quero que a música esteja sempre comigo, mesmo como hobby, porque é uma das minhas maiores paixões”.

Entre MPB, rock e nativismo

Na vida de Maria Pya, a música chegou pela voz do pai, jornalista com veia musical, que embalava sua infância com canções e violão. “Não consigo lembrar de quando comecei a me interessar pela música. Costumo dizer que foi desde que me conheço por gente”, afirma.

A primeira vez que pegou um microfone foi pequeninha, aos 4 anos, quando, segundo a mãe, “roubou” a cena de uma apresentação do pai. Já a estreia oficial aconteceu anos depois, na fase local da 2ª Califórnia Estudantil, na 45ª Califórnia da Canção Nativa.

De lá para cá, Maria Pya trilhou um caminho de conquistas em festivais onde concorre em sua categoria Juvenil: vencedora da 2ª edição da Califórnia Estudantil (2023) e 3º lugar em 2024; classificada no Festival da Lamparina (Ijuí/RS), em 2024; 2º lugar no XXI Festival da Canção Maria Ortiz (Colégio Dom Bosco), também em 2024; 1º lugar no XXVI Rodeio Artístico e Cultural do Piquete Saraquá (2024); 1º lugar como Intérprete Solista Feminino, no 1º Sinuelo em Dança, em 2025, dentro da 41ª Festa Campeira Internacional de Uruguaiana.

Dona de um repertório plural, Maria Pya passeia entre rock, MPB, bossa nova e música nativista. “No solo, sigo pela MPB e pela bossa nova; com a Banda Singular, faço rock; e nos festivais, canto a música gaúcha”, conta.

A jovem também escreve suas próprias canções, sobre juventude e amor. Ainda não lançou nenhuma, mas guarda a intenção de aprimorá-las antes de disponibilizá-las ao mundo.

Com firmeza, declara: “Quero seguir a carreira musical, me graduar em violão e viver a música por toda a minha vida. Meu sonho é transmitir arte e emoção às pessoas. Não me vejo em outra profissão”.

Força, voz e raízes

O canto entrou na vida de Matheus Pereira quase como um acaso feliz. Foi em 2023, numa gincana escolar, que os colegas e professores descobriram sua voz. “Ali percebi meu talento e comecei a me dedicar de verdade”, recorda.

No mesmo ano, subiu aos palcos: conquistou o 2º lugar no XX Festival Maria Olga Ortiz, no Colégio Dom Bosco, e o 2º lugar na 2ª edição da Califórnia Estudantil. No ano seguinte, em 2024, voltou ao Festival do Dom Bosco e alcançou o 1º lugar, seguido da vitória no XXVI Festival Saraquá. No mesmo período, chegou à final da 3ª Califórnia Estudantil.

Em agosto de 2025, aos 18 anos, estreou na categoria adulto e brilhou como Intérprete Solista Masculino, conquistando o 1º lugar no Sinuelo em Dança.

Em seu repertório não faltam clássicos como Veterano, Tropa de Osso, Gaudêncio Sete Luas e Negro da Gaita, eternizados em edições da Califórnia. Mas ele também se arrisca no pagode e no samba. “Confesso que sou melhor na música gaúcha”, admite, sorrindo.

Matheus tem como referências César Passarinho, Leopoldo Rassier e, acima de tudo, sua mãe, sua grande incentivadora.

Sonhador, resume seus desejos: “Quero seguir cantando músicas gaúchas e representando nossa cultura da forma mais verdadeira possível. Pretendo continuar nos festivais e também gravar canções inéditas”.

Uruguaiana segue, assim, a escrever sua história na música nativista. Entre palcos, sonhos e aplausos, três jovens artistas reafirmam que o futuro da tradição já começou — e canta com voz forte.

Redação: Giovana Petrocele

Fotos: Acervos dos artistas

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