Um refúgio urbano na fronteira gaúcha

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No extremo oeste do Rio Grande do Sul, onde o Brasil quase toca a Argentina, há um pequeno refúgio urbano pulsando energia e acolhimento. Em Uruguaiana, cidade de fronteira e de encontros, nasceu o Espaço Devas: um lugar para desacelerar e se reconectar em meio ao ritmo acelerado do mundo moderno. Ali, terapias holísticas transcendem a técnica e se tornam experiências transformadoras.

No Devas, cada detalhe carrega uma intenção: aromas que despertam memórias, espaços que convidam ao silêncio e práticas que conduzem a uma jornada interior. Da cristaloterapia ao som terapêutico, passando pela meditação guiada, cada caminho é uma oportunidade de mergulhar na própria essência. Mais do que um espaço, Devas é um convite para escutar o corpo, aquietar a mente e confortar o espírito.

Criadora do Espaço Devas, a terapeuta Bruna Neimann (foto), compartilha sua história. Desde criança Bruna sentia fascínio pelo invisível. Enquanto outras meninas brincavam com bonecas, ela se encantava com filmes de magia, pedras misteriosas e rituais que sugeriam a existência de algo além do que os olhos podiam ver. “Sempre olhei para o mistério, para aquilo que pulsa por trás da matéria”, relembra. Na adolescência, essa fascinação se tornou busca e ela mergulhou em estudos que tocavam a alma. Com o tempo, seu caminho foi se aprofundando. Hoje, Bruna concilia o holismo com a Filosofia — sua área de formação — somando especializações em Tanatologia, Neurociência, Consciência e Psicanálise: “Tudo isso para compreender melhor a alma humana e tudo o que ela carrega”.

Fundado em 2016, o Espaço Devas nasceu como um desdobramento natural de anos de estudo e vivências. “Foi um desabrochar natural de tudo o que eu já vinha cultivando dentro de mim”, conta Bruna. Para ela, o Devas sempre foi mais que um espaço físico, mas um portal, um lugar de cura, acolhimento e reconexão com o sagrado que habita em cada ser.

O nome “Devas” faz referência às inteligências sutis da natureza. “O Reino Dévico é um plano invisível aos olhos humanos, mas de extrema importância, pois atua em harmonia com a natureza, auxiliando na circulação e transmissão do prana — a energia vital”, explica Bruna.

No Devas, as terapias holísticas ganham profundidade. Um dos atendimentos mais procurados é a sessão de autoconhecimento com Tanatologia — uma abordagem que se diferencia da terapia convencional, onde o diálogo filosófico e tanatológico se une aos saberes da espiritualidade, conduzindo o cliente a uma investigação viva sobre o sentido da vida, dos ciclos e das escolhas.

Também há sessões de cristaloterapia e cartomancia. No Devas, a cartomancia foi ressignificada: não é um oráculo de previsões, mas um espelho simbólico do momento presente — um convite ao autoconhecimento e à consciência.

Para quem busca uma prática contínua, há ainda encontros semanais de meditação em grupo.

O Sábado Holístico é um projeto criado por Bruna que promove vivências coletivas com terapeutas convidadas. São tardes dedicadas à meditação, ao relaxamento e à pacificação interior, cuidadosamente pensadas para que cada participante possa mergulhar em si mesmo e compartilhar em um ambiente seguro e acolhedor. “Unimos forças com diferentes técnicas para proporcionar uma experiência de reconexão profunda”, explica.

No Devas, o sofrimento da alma é acolhido com delicadeza, buscando sempre encontrar um fio de sentido que reconecte a pessoa à vida, mesmo nos momentos mais desafiadores. “Acreditamos na força do autoconhecimento e da espiritualidade como caminhos para uma vida plena”, finaliza Bruna.

Para se reconectar e nutrir-se de boas energias, a terapeuta busca viajar para destinos que transbordam mistérios da humanidade. Em sua jornada pelo Peru, visitou a famosa Montanha Colorida, a Vinicunca e Machu Picchu. Bruna conta que, para os peruanos, as montanhas são conhecidas como Apus.

“Na mitologia inca, os Apus são divindades que habitam as montanhas e protegem o povo. Até hoje, os peruanos realizam rituais e oferendas para honrá-los, construindo suas apachetas – pequenos montes de pedras – enquanto agradecem à Pachamama e pedem proteção, para que os deuses das montanhas guiem seus caminhos”, explica.

Cada momento vivido no Peru foi um mergulho profundo em sua jornada espiritual. “Cada lugar carrega em si a força viva da ancestralidade”, conclui.

Quer conhecer mais o Espaço Devas? Siga em:

https://www.instagram.com/espacodevasoficial/

Redação: Giovana Petrocele

Fotos: Acervo do Espaço Devas

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