Uruguaiana é a terra do chimarrão e do rock. Já faz muitos anos que as bandas deste estilo fazem parte da cultura da cidade que já respirou rock and roll e ainda pulsa forte com o ritmo. Algumas bandas desapareceram com o passar dos anos enquanto outras surgiram e fazem o maior sucesso nos bares da capital da fronteira oeste.

Neste contexto, nasceu a Dona Doida, em 2016, para celebrar o rock sem deixar de exaltar a Música Popular Brasileira, nossa querida MPB. Em sua trajetória de quase uma década, é reconhecida não só em Uruguaiana, mas na região, onde se apresenta em casas noturnas e festas particulares, levando em seu repertório, sucessos nacionais e internacionais. Itaqui, Alegrete, Sant’Ana do Livramento e Santa Maria estão na rota da banda.





Dona Doida desde o início se destacou no cenário musical, recebendo atenção da mídia e abrindo shows de grandes expoentes da música, como Nando Reis e Comunidade Nin-Jitsu. No repertório, interpretações de cantores consagrados, incluindo Elis Regina, Roxette, Chico Buarque e Tina Turner.
Em 2022, a banda passou por uma fusão com a banda Rota Alternativa e alcançou grande reconhecimento ao ser eleita a “Melhor banda de rock da cidade”, no Festival de Bandas de Uruguaiana, promovida no Ferrovia Bar.
De forma popular foi escolhida para participar da quarta edição do Chimarock, em São Borja, além de ser selecionada por duas vezes para o evento Choriceva, em Sant’Ana do Livramento.
Em 2024, a Dona Doida recebeu o convite do Sesc de Alegrete para abrir o Festival Alegretense da Canção (FAC), solidificando ainda mais sua trajetória de sucesso no cenário musical da região.
Uma breve história com rock
Ana Virgínia, a vocalista da Dona Doida, lembra que “cantarolava” em casa e nunca tinha pisado em um palco até banda Rota Alternativa a convidar para fazer voz de marcação numa música que ela sabia. “Eles apenas queriam uma voz guia para o ensaio e no final eu escutei: tu é afinada, poderia cantar. Então eu pensei: se eles que estão na estrada há mais tempo disseram isso…então acreditei”, conta. E assim começava uma nova história.

Me ensina a cantar

De fazer a voz guia até pedir “me ensina a cantar” ao baixista e vocalista da banda Rota Alternativa, Juliano Falcão, é uma longa história, que iremos resumir. Ele a ensinou a cantar e hoje é o companheiro da cantora, não apenas na música, mas na vida. “O Juliano deu algumas aulas e acabou dizendo que para que eu cantasse, teria que montar uma banda e ter um repertório”, disse, completando: “Até hoje eu acho que ele não pensou que eu seguiria adiante”.
A Dona Doida



Ana Virgínia juntou quatro mulheres e num piscar formou uma banda. “Esse projeto não foi adiante, porque todas nós tínhamos pensamentos diferentes sobre a questão da música”, explica.
A ideia de montar mais uma vez outra banda surgiu de um amigo que tocava em grupos nativistas. “Ele gostava mesmo era de rock e queria muito montar um projeto quando me chamou”, disse Ana, contando que a primeira formação teve Neco (Teotônio Machado), Sady Teixeira na bateria e Iriana Boch no baixo, porém o projeto parou após a banda ter tocado em alguns locais da cidade.
Dona Doida aconteceu em 2016, após um período parada. “Na época o Áureo Goulart e o Ganso (Temístocles Almeida) tiveram a ideia de trazer a banda de novo e eu obviamente topei, pois são dois excelentes músicos e não deixei passar a oportunidade. Após a pandemia fiz parceria com os músicos da banda Rota Alternativa, que sou fã”.

Atualmente a Dona Doida tem em sua formação a Ana, no vocal, o Sady, na bateria, o Aureo, na guitarra e o Juliano, baixista e arranjador.
O Sady veio da primeira formação. “Ele é um ótimo baterista, muito estudioso e é quem cuida da nossa página no Instagram”, relata a cantora, que logo dispara que Áureo “não é apenas o guitarrista, mas o maior blueszeiro da cidade”. Quanto à Juliano, Ana revela que “ele é quem mostra o caminho da técnica, quem desmistifica que cantar é talento puro. Na primeira formação ele não estava, mas sempre esteve junto, nos ensaios, para colaborar com os arranjos. É um excelente arranjador. Na segunda formação ele disse que ficaria até arrumar um baixista, mas nunca mais saiu”.
A inspiração do nome
Dona Doida, o nome da banda, teve inspiração no rock e na literatura. Veio da música “Dona Doida” de Rita Lee, aquela que diz que “A vida é uma caixa de Pandora / Se abrir, estoura dinamite” e do poema “Dona Doida” de Adélia Prado, que diz lá no fim “Só melhoro quando chove”. Foi escolhido por Ana e Neco, o amigo que queria muito criar a banda de rock.
Alma eclética
Perguntamos para a Ana quem eram seus ídolos na música e, como toda boa geminiana, a cabeça pensou em mil cantores ao mesmo tempo e não pode apontar nenhum, revelando um gosto eclético. “Eu gosto de muita gente! Muita gente me inspira! Desde grandes astros, até pessoas que estão à minha volta. Todos são humanos e inspiradores. Mas se está falando em gosto, eu vou de qualquer estrela pop, passo por um erudito e por astro do heavy metal. Um músico não pode se fechar em um único gosto”.
Gostou de conhecer a história da Dona Doida?
Para acompanhar a banda, siga-a no instagram onde também é possível agendar para apresentações e shows: https://www.instagram.com/donadoidarock/
Fotos: Acervo Dona Doida
Texto: Giovana Petrocele

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